segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Durão Barroso, o responsável

Ssolbergj
Durão Barroso (para quem não se recorde, primeiro-ministro de Portugal entre 2002 e 2004), em entrevista à SIC, foi igual a si mesmo. Quando questionado sobre as suas responsabilidades na dívida pública portuguesa, não hesitou em sacudir a água do capote, arte em que é exímio. Comparar este comportamento com o de António Guterres, que uma semana antes assumira parte das culpas, diz muito de Durão. O que ninguém pode esquecer é que o actual presidente da Comissão Europeia fugiu de Portugal quando as contas públicas voltavam a descontrolar-se (como se viu pelo resultado final de 2004) e deixou Santana Lopes no poder, em nome de uma carreira internacional que só o beneficiou a ele. Na altura, o argumento utilizado para a fuga de Barroso foi o da sua mais-valia na União Europeia para defender os interesses de Portugal. Porém, a sua única mais-valia tem sido como capacho de quem o pode suster no cargo que desempenha. Esperemos que ninguém se esqueça de tudo isto quando o ex-revolucionário maoísta reentrar em Lisboa com vontade de chegar a Belém.

Mercados censuram Berlusconi

Hoje até concordo com os mercados, que estão a censurar a demissão de Mario Monti e ao regresso de Silvio Berlusconi. A taxa de juro da dívida italiana cavalga a bom cavalgar e a bolsa de Milão está em queda acentuada.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Domingos europeus

Aos Domingos, especialmente no Inverno, costuma haver eleições em qualquer parte do mundo. Hoje, celebraram-se legislativas na Roménia e as primeiras projecções apontam para uma vitória muito folgada da coligação entre sociais-democratas e liberais (no poder).
Ainda mais ampla foi a maioria alcançada pelo candidato do SPD a chanceler da Alemanha, Peer Steinbrück, ungido pelo seu partido com uns muito confortáveis 93,5% dos 600 delegados reunidos para o efeito. Curiosamente, Steinbrück contrariou o muito que se tem escrito a seu respeito e, num discurso de duas horas, recusou de forma liminar uma aliança pós-eleitoral com Merkel, ao mesmo tempo que criticou as políticas da governante alemã em relação aos países menos favorecidos da união económica e monetária (nos quais Portugal se inclui, obviamente).
Amanhã bem cedo, os olhos da Europa estarão fixos nos mercados italianos e na forma como estes reagirão ao regresso de Berlusconi à política activa e ao anúncio da demissão de Mario Monti.

O relato de Zapatero

José Luis Rodríguez Zapatero começa paulatinamente a reaparecer na vida pública. Na edição dominical do diário madrileno El País, o veterano jornalista Luis Aizpeolea assina um artigo em forma de entrevista indirecta ao anterior presidente do governo de EspanhaZapatero vai lançar em breve um livro sobre a crise e sobre a sua última e difícil etapa como governante. Será interessante começar a reunir todos estes relatos na primeira pessoa para melhor compreendermos o que se passa nas nossas costas. Já que os actuais governantes não nos explicam nada, olhemos para o que dizem os anteriores.

País Basco, vira o disco e toca o mesmo

O antigo braço político da ETA, agora denominado Bildu, continua com os seus jogos semânticos. Prestou homenagem a "todas as vítimas" do conflito no País Basco, mas não se referiu directamente às vítimas do terrorismo etarra. Vira o disco e toca o mesmo. Ainda não há uma compreensão clara do problema em todas as suas dimensões, o que impede uma resolução plena do conflito.

Domingo de manhã

A edição de hoje do jornal Público (cada vez mais parecido com um semanário) tem como tema de capa a comparação entre Portugal e a Grécia. Vale a pena ver o que nos aproxima e afasta de Atenas. Cada vez é mais importante ir buscar informação ao exterior e formular ideias e opiniões partir desses dados. Por cá, já percebemos que temos um governo que não nos informa de nada e que é uma nulidade em termos de relações externas.

Monti prepara demissão

Sábado à noite é um daqueles momentos da semana em que achamos que nada acontece em nenhuma parte do mundo, excepto uma catástrofe natural. Hoje a excepção confirma a regra: em Itália, depois de Berlusconi anunciar que vai candidatar-se pela centésima vez a presidente do Conselho de Ministros, Mario Monti comunicou que prepara a sua demissão. Segunda-feira, os mercados deverão tremer. Porém, a notícia pode não ser má, se antecipar o calendário eleitoral e se as eleições proporcionarem um chuto definitivo no traseiro de Berlusconi.
No Egipto, Morsi anulou o seu decreto estapafúrdio que lhe outorgava poderes extraordinários. Benditas forças armadas, bendito fim-de-semana.